O líder sem-terra José Rainha Júnior disse que irá pedir uma audiência com o ministro Gilmar Mendes, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), para explicar a ele que os sem-terra do Pontal do Paranapanema (oeste de SP) "não são um movimento de bandidos". Na quarta-feira (25), Mendes disse que as invasões de terra que ocorreram no Carnaval em Pernambuco e no Pontal do Paranapanema são ilegais.
"Não somos criminosos. Lutar pela terra faz parte do processo democrático. As terras do Pontal já foram declaradas públicas", disse Rainha, que está desautorizado pelo MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) de agir e falar em nome do movimento.
Rainha disse que também pedirá ao ministro para que sem-terra recebam o mesmo tratamento dado a qualquer pessoa e citou como exemplo o banqueiro Daniel Dantas, que teve a prisão preventiva revogada por Mendes. Para Rainha, o ministro agiu corretamente.
"Acho que o ministro agiu corretamente neste caso. Não tinha motivo para prisão preventiva de Dantas. Queremos que o pobre tenha voz, vez e direito no tribunal", disse.
Segundo o líder sem-terra, a audiência será solicitada por intermédio do senador Eduardo Suplicy (PT-SP).
Agricultores ligados a Rainha começaram hoje a deixar as fazendas invadidas na região do Pontal durante o Carnaval, na ação denominada por eles de "Carnaval vermelho".
O recuo foi anunciado por Rainha na quarta-feira, depois que o secretário de Justiça de São Paulo, Luiz Antonio Marrey, cancelou uma reunião agendada com o grupo em represália às invasões de terra.
Rainha disse que as 21 propriedades invadidas foram todas desocupadas. A Polícia Civil, que havia confirmado 17 invasões no Carnaval, disse que algumas propriedades foram realmente desocupadas.
A direção do MST na região do Pontal do Paranapanema, que afirma ter invadido três fazendas no Carnaval (duas delas confirmadas pela polícia), disse que só deixará as áreas com a ordem de reintegração de posse dada pela Justiça.
Segundo Cido Maia, diretor-regional do MST no Pontal, a fazenda São Luiz, em Presidente Bernardes, seria desocupada até a manhã de hoje, pois receberam ordem judicial.